"Rodeada de gente, por entre as notas agressivas do rock'n'roll, abanava-se violentamente, como que a querer expulsar qualquer coisa do seu corpo... Um demónio, um sentimento, uma tristeza que ninguém parecia querer notar, que ninguém parecia querer saber... Cerveja na mão direita, cigarro na mão esquerda, olhar perdido entre o riso histérico e o desespero. Se tivesse sido possível teria morrido ali naquele momento, entre a multidão... A olhar as suas amigas a rir e a dançar, enclausurada dentro da exclusão do seu casulo; a olhar a sua "sobrinha", a olhar o seu amigo de longa data passar as suas músicas preferidas enquanto a olhava casualmente com ar de cumplicidade suprema... Teria morrido ali...
Chegou a casa sem conseguir ver muito bem o caminho por entre as lágrimas que ela tentava mas não conseguia reprimir.
Estava só. Sozinha.
Teria morrido entre os seus amigos aquela noite... Sozinha, mas a olhar sempre para eles."
À espera do autocarro
Há 15 anos