"Demorou-se mais um tempo, no seu caminho para casa, conduzindo mais devagarinho, optando pelo caminho mais longo. Apetececia-lhe conduzir, ouvir música, sem pensar em mais nada a não ser no doce prazer de poder estar sozinha. Imaginava que podia partir para qualquer lugar, no seu velho carrinho de cidade. Partir; assim, sem mais nem menos. Ir até à praia ver o mar, ir até à sua cidade natal ver a sua família, ir até ao algarve passar férias, ir para outro país, ir até á lua! Apetecia-lhe sair dali! Ter outra vida, ser outra pessoa... Sentia-se insatisfeita. E o que a transtornava era que não havia motivos aparentes para isso...
Desligou o rádio. Acelerou. E por fim chegou a casa. "
À espera do autocarro
Há 15 anos
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